Forjando com lasers

Forjando com lasers

É inegável que a história da humanidade está bastante ligada ao desenvolvimento de novas tecnologias para tornar a vida mais fácil (ou, pelo menos, mais interessante). Começando com o desenvolvimento da agricultura e pecuária ainda em épocas pré-históricas, é possível citar vários avanços que fizeram com que as sociedades avançassem a passos cada vez maiores, passando pelo aperfeiçoamento de técnicas de construção de prédios e edificações, por técnicas de metalurgia que resultaram em ligas metálicas cada vez mais resistentes e pela expansão do conhecimento em áreas como química, física, matemática e demais ciências até chegar aos dias de hoje. Até pouco tempo atrás, muito da tecnologia a que temos acesso hoje em dia seria considerada coisa de ficção científica, como a própria internet, a telefonia celular (tanto para voz quanto para a transmissão de dados), impressoras 3D, redes de satélites para GPS e máquinas do tempo que nos permitem viajar ao passado para filmar dinossauros e outros animais pré-históricos em seus habitats verdadeiros.

Não me diga que você achava que isso era só computação gráfica.

No caso da confecção de artefatos medievais e do universo geek que fazemos aqui na Forja Mestra, além de peças para cosplay e swordplay, uma das maiores contribuições foi o desenvolvimento de espumas e termoplásticos específicos, como o próprio EVA, o polietileno expandido, a espuma expansiva e outras maravilhas criadas pela engenharia de materiais. Antigamente, objetos cenográficos e peças de armadura que seriam usados em filmagens, e até mesmo alguns objetos decorativos eram confeccionados em fibra de vidro (um material relativamente caro e difícil de trabalhar), ou feitos com os materiais “reais”, como metal, pedra, madeira, etc. Hoje em dia, esses mesmos objetos são feitos com materiais modernos, muitas vezes usando processos como a impressão 3D, a moldagem e escultura de peças de EVA, a modelagem com resina e massas plásticas, etc.

Um dos processos modernos de fabricação de artefatos que tivemos a oportunidade de conhecer recentemente foi o corte a laser. Fomos convidados a conhecer as instalações do Fab Lab Escola do Sesi de Ribeirão Preto, que oferece aos seus alunos e à comunidade a possibilidade de aprender a utilizar este e outros processos de fabricação e prototipagem. As possibilidades oferecidas por esse espaços makers são tão grandes que o Fab Lab do Sesi merece um post inteiro só para ele. Vamos falar mais a respeito em um artigo futuro.

Assim, para testar as possibilidades do corte a laser e ver como ele funciona na prática, levamos um projeto para o Fab Lab. Queríamos ver como ficaria o corte das peças que usaríamos em um par de elmos no estilo Sugarloaf que estavam na nossa fila de projetos. Veja um vídeo que mostra o laser cortando as partes do elmo no EVA:

Algumas observações: embora as máquinas de corte a laser trabalhem bem rápido, foi necessário ajustar a potência do feixe e diminuir a velocidade do laser sobre a superfície a ser cortada. Isso acontece devido à densidade do EVA: por ser um plástico de baixa densidade, o uso do laser em alta potência/alta velocidade faz com que as bordas do corte acabem derretendo e se deformando — um efeito que não seria desejável, de acordo com o padrão de qualidade da Forja Mestra. Mesmo assim, todas essas características podem ser ajustadas sem grandes problemas, resultando em peças com cortes bastante precisos — especialmente no caso de ângulos bem agudos ou curvas acentuadas que seriam bem complicadas de se fazer com um estilete comum. Confira uma das etapas do progresso dos elmos com as peças cortadas no laser do Fab Lab:

Em breve, no remake medieval do filme “Coneheads”.

Com cortes tão precisos, o trabalho de montagem dos elmos ficou muito mais fácil, resultando em ganhos de rapidez e qualidade para as peças. Logo mais, teremos também um artigo sobre esses elmos sugarloaf. Continuem com a gente, forjadores! Nos vemos no próximo artigo ou então nas mídias sociais da Forja Mestra!

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